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Van o vienen, se despiden o se encuentran

 

Bruna Silveira

Era fim de tarde do sábado (28), o sol já tinha se posto na cidade agora intitulada cidade das cores por quatro poéticos e vivos dias. Para às 19h estava marcado o espetáculo sobre o qual eu deveria escrever algumas palavras sobre. Minhas impressões, talvez. O sentimento do público, melhor ainda. A cena apresentada, só isso seria clichê demais.

 

Cheguei um pouco mais cedo no SESI, sentei logo na primeira fila, para enxergar, ouvir e sentir melhor o “Dos Payasos y um Biombo”. Os atores Lucas Caballero e Santiago Culacciati, chamado assim de grupo La Patera Teatro, estavam ensaiando. Só dali, já percebi que me arrancariam boas gargalhadas. Eram dois palhaços elegantes, bem vestidos, mas que não fugiam da espontaneidade.

 

Os portões foram abertos, as pessoas começaram a chegar. Viam eufóricas, animadas, curiosas. Estavam com ressaca do cortejo. Ressaca de tanto sorrir, de tanto pular e de dançar ao som das marchinhas. Ah, o cortejo! Esse tira o fôlego e ressaqueia qualquer um. As crianças entravam no teatro com balões nas mãos e caras pintadas, brincando de ser palhaço.

 

Eis que senta ao meu lado Guilherme, empolgado e com sete anos de puro sorriso e inteligência. Começamos a conversar, perguntei pra ele sobre o Encontro e suas respostas me mostravam sua felicidade de estar ali, sua animação de ver aquela palhaçada toda o encantar.

 

Eu, em meio à tecnologia, mexia no celular antes de o espetáculo começar. A voz dos avisos disse “Por favor, desliguem seus celulares e bips ”. Guilherme, como quem não quer ser incomodado durante a peça, me diz um simples “Ouviu?”. Fiquei intimidada, ri, e disse: “ouvi sim, estou desligando já, olha!”

 

Terceira campainha. Começou. Um biombo escondia os dois palhaços que ali de trás faziam os chapéus dançar. O pequeno sentado ao meu lado tinha os olhos vidrados, desses que não admite sequer um piscar, desses que não aceita perder um só segundo de tudo aquilo.

 

As gravatas, a flexibilidade, as malas, os chapéus, os paletós, o passarinho, e aqueles narizes que os identificavam, aqueles vermelhos. Dois palhaços. Sem destino e sem origem. Um biombo sempre ali, não só era cenário como também personagem, oculta e mostra. Esconde o que o público não deve descobrir e chama atenção para o que os olhos devem se divertir e advertir.

 

 

Enquanto toda essa fantasia se fazia realidade bem ali no palco, ele interagia, tentava gritar um dos palhaços e alertar algo que o outro estava aprontando. Quando faziam coisas que ninguém sequer ousava pensar na razão de como aquilo era possível, ele, o Guilherme, me cutucava e falava: “Ah, eu conheço esse truque!” ou então “Eu sei fazer isso!”. Para ele era tudo fácil, ele sim conhecia as mágicas e conseguia enxergar as linhas escondidas.

Era palhaçada, truques e humor. O SESI se entupiu de euforia. Não cabia mais ali tantos olhos atentos e tantos dentes que se exibiam sem medo nenhum. Era a criançada!

 

Ao acabar o espetáculo, peguei um papel da peça que dizia: “Dos payasos arrojados a um mundo imaginário... ¿Van o vienen, se despiden o se encuentran?”

 

Era o encontro e a despedida com o pequeno Guilherme, com o La Patera, era mais um Encontro de Palhaços, que me fascina, por esse e outros momentos únicos. Eram os detalhes! O ir e vir!

© 2013 by CIRCOVOLANTE

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